palavrear

era proibido, esquecido, deturpado. um romance que jamais deveria ter sido contado.

i have to let you go

todo dia eu me pego pensando porque gosto tanto de acordar e ver o Sol, e percebo que sempre tenho várias respostas para essa pergunta.
eu gosto de acordar e olhar para o Sol, ver o seu brilho e calor irradiar e entrar em mim. me fazer mais quente e mais iluminado. me fazer mais belo e mais feliz.
eu gosto de dedicar ao Sol o meu dia, pois somente ele torna tudo mais intenso, mais intimista.
só a luz do Sol consegue revelar cada detalhe que a noite e as sombras tentam, incansalvemente, esconder.
mas hoje eu me peguei pensando que talvez fosse hora de deixar o Sol partir. talvez fosse o momento em que o Sol tivesse que iluminar outros lugares, outras pessoas, outros caminhos.
não sei o meu pensamento está correto, mas eu sei que eu penso dessa forma hoje. talvez um dia eu veja a verdade, ou talvez eu ainda continue pensando como penso hoje.

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tudo está mudando

tudo está mudando e isso é um fato inegável.
pessoas estão indo embora, dando espaço para novas pessoas chegarem.
as horas estão se alternando entre os ponteiros do relógio, desregulando completamente minha vida.
algumas pessoas estão se mudando para a sala ao lado, enquanto outras preferiram se juntar à mim.
minhas vontades já não são mais as mesmas. o que eu queria antes, hoje se tornou besteira.
certos desejos perderam a graça diante da imensidão dos novos desejos.
os sonhos que eu sempre tive desapareceram e, então, surgiram novos sonhos mais difíceis ainda de serem alcançados.
algumas músicas perderam o sentido.
alguns filmes tiveram suas histórias roubadas pelos atos que eu apresentei em vida.
em certos momentos, sinto falta de tudo o que está ficando para trás. mas em outros momentos, tenho certeza de que isso tudo é o melhor pra mim. ou não.
eu tento procurar respostas para algumas perguntas, mas nem mentir pra mim mesmo eu consigo mais.

“Você, definitivamente, é uma interrogação e daquelas beeem grandes!”

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sufocado

as janelas estão fechadas, as portas não abrem mais e o ar está ficando rarefeito. me sinto preso pelas minhas convicções e insinuações que a sociedade tenta me impor.
não consigo respirar.
não consigo mais sentir o ar entrando em meus pulmões, percorrendo minhas veias e entrando em minha vida.
não sinto mais o ar.
percorro rodovias, escalo montanhas, ando em campos abertos, pulo de prédios e nada. me falta ar em tudo quanto é lugar. me falta vontade de respirar.
estou sufocado. mas não por vontade  própria.
tiraram meu ar. tiraram minha vontade de respirar. tiraram minhas forças para inspirar o ar e tudo o que há em volta.
sinto-me vazio. sinto que há um espaço que poderia ser preenchido, mas não foi.
sinto que ainda há ar em mim, mas muito pouco. talvez ar para eu sobreviver alguns dias, alguns meses, alguns anos.
mas jamais será ar o suficiente para eu viver de verdade.

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descoberta

estou passando por muitas coisas. existem pessoas no hospital, pessoas indo embora, sonhos desmoronando, corpo se acabando, mas ao menos eu estou conseguindo tirar coisas boas disso tudo.
eu sempre achei que em momentos difícieis, eu não aguentaria. que eu não suportaria carregar nas costas o peso que seria posto em cima de mim. mas agora eu tô descobrindo que eu aguento muito mais do que penso. que eu posso não ter músculos, mas que nenhum peso é pesado o suficiente pra me fazer parar no meio do caminho. e que eu posso não só carregar o meu próprio peso, como posso carregar o peso dos outros.

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ex-colors

o que eu estou fazendo comigo mesmo? porque estou me destruindo dessa forma?

o mundo finalmente conseguiu o que queria. o mundo, finalmente, me fez frio. me fez calcular cada passo que dou, cada lugar que olho, cada pessoa que conheço.o mundo, finalmente, me fez ver maldade nas pessoas, nas palavras e até aonde não tem. me fez desconfiar quando é pra confiar, me afastar quando é pra me entregar e esqueçer quando é pra amar. me fez partir quando é para esperar, calar quando é pra falar, me entregar quando é pra lutar.
todas as ilusões se foram, todos os contos acabaram, todas os personagens perderam sua magia. graças ao mundo, tudo o que vejo hoje é cinza.cinza e em cinzas.todas as telas perderam suas cores.
no começo era assustador. era assustador imaginar o mundo, o meu mundo, sem cores. mas com o tempo, o cinza se tornou tranquilo. pra que me arriscar misturando as cores, se o mundo só veria tudo cinza?
contrariando todas as possibilidades eu me acostumei. me acostumei à viver sem sonhos, sem futuro, sem paz e sem brilho. sem cor.

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start over

hoje eu senti como se nada tivesse mudado.
estávamos lá, como se o tempo não tivesse passado, sentados no sofá, assistindo à uma comédia romântica e rindo. nos divertindo como se o mundo lá fora tivesse parado de girar, como se todas as dores que sentimos estivessem anestesiadas.
era ótimo sentir tudo aquilo denovo, mesmo que eu soubesse que era temporário. mesmo que eu soubesse que, assim que o filme acabasse, todas as feridas voltariam à sangrar. mas, mesmo assim, eu me senti em casa. me senti entregue e acolhido de uma forma que não sentia havia tempos.
eu estava me sentindo seguro. estava pisando em terra firme.

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saturday night

existem algumas partes de minha vida que eu gostaria de, simplesmente, apagar. mas não posso. eu nunca poderei apagar o que já foi feito, dito e expressado.

eu não queria voltar lá. eu não podia voltar lá. mas voltei. voltei e me surpreendi quando notei que nada mais importava. que eu nunca importei. nunca tive importância. que eu sempre fui uma sombra que se escondia no escuro da noite, tentando fugir de tudo e se iludindo com os outros.
eu estava lá, esperando que algo ou alguém pudesse recuperar a essência que eu tinha e perdi. eu estava lá, sentado em uma mesa, tentando fingir coisas que eu não sou mais capaz de sentir. revendo pessoas e mentindo, dizendo que sentia saudade. conhecendo pessoas novas e mentindo, dizendo que estava feliz por conhecê-las. eu estava lá, rindo por fora, mas chorando por dentro ao ter noção do tamanho da minha futilidade.
eu não queria voltar lá e voltei. voltei para ver que nada do que eu fui um dia, sobrou no que sou hoje. voltei pra ver que tudo o que eu construi, era feito de areia e, com as ondas que a maré trouxe, se destruiu. eu não queria voltar lá e voltei, somente para ter certeza de que as paredes que construí não são e jamais serão do lugar que eu chamo de casa. voltei somenete para ter certeza de que o caminho que eu trilhei, jamais foi o verdadeiro caminho e sim um atalho menos doloroso e mais vazio.
voltar lá me fez ver coisas que talvez eu não quizesse ver e sentir coisas que talvez eu não quizesse sentir.

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