Dois mil e onze foi um ano marcante para mim de diversas maneiras. Aconteceram coisas que eu previa e outras coisas me pegaram de surpresa e eu não pude escapar. Foi um ano em que eu me encontrei comigo mesmo e, finalmente, parei de ter medo. Comecei a descobrir quem eu sou e onde eu vou parar, mesmo sabendo que nessa vida de incertezas nada pode ser programado. Deixei, finalmente, e tardiamente, de lado o menino que havia em mim e descobri que não há mais espaço para ele e pude, querendo ou não, deixar o homem que havia aqui dentro transparecer. Eu poderia citar mil situações e histórias, mas eu não vou me atrelar à exemplos. Acho que o maior exemplo que eu posso dar é justamente isso que escrevo agora, minhas palavras. E é a partir deste ponto que eu percebi minha maior mudança.
Quando comecei a escrever, anos atrás, eu era um menino que falava das dores da adolescência e dos amores desencontrados e das adversidades que encontrava, por mais ínfimas que fossem, e agora aqui me encontro, falando de um amadurecimento que, apesar de nem todos notarem, é o que eu sinto. Acho que tudo o que eu escrevo é reflexo do que sou e toda a construção de minhas palavras é a imagem do que estou construindo em minha volta e para mim, sem tirar nem pôr.
Trabalhei muito, mais até do que deveria, admito, mas foi no trabalho que isso tudo começou. Aprendi muita coisa com as pessoas com as quais eu convivo, desde a aceitar e relevar, até compreender e conviver pacificamente. Claro que meu jeito explosivo e direto não muda, mas eu aprendi a controlar um pouco isso e, querendo ou não, a me controlar. Amadureci muito no meu lado profissional principalmente por causa dos adolescentes com os quais eu trabalho. Ver eles e suas dores transformaram as minhas em dores tão pequenas quanto uma farpa no dedo. Talvez eu nem devesse estar falando assim, mas faz parte de mim tudo o que ocorreu, então deixe estar e deixe-me falar de quantas vezes eu quis chorar ao ouvir as histórias deles? Quantas vezes eu me vi de mãos atadas e me senti inútil e impotente sem poder ajudar? Quantas vezes eu paguei minha boca por julgar sem conhecer? Tolo eu fui e tolo continuarei sendo, mas acredito que agora eu não erre tanto quanto antes.
Nos estudos, vamos dizer que eu aprendi o valor da displicência. Dei minha cara a tapa, acreditando estar fazendo o melhor e descobri que o que era melhor na minha juventude, se tornou um grande infortúnio e problema agora, quando já não me cabe mais atitudes de menino. Julguei, durante muito tempo, minhas escolhas como certas e agora, quando me noto diferente, noto também que as minhas escolhas “certas” irão justamente atrasar minha vida e me fazer arrepender-me, mais ainda, de meu jeito leviano e inconsequente. Ao menos, acredito eu, ainda há tempo pra consertar. Talvez não o passado, mas o que tá vindo ainda.
No campo do amor… Ah, o amor… Tive desilusões, novamente, sofri, de novo, e acabei me fechando para muita coisa. Mas se tem uma coisa que eu estou custando a aprender é que a gente não controla o nosso destino, somente as nossas escolhas, mesmo que muitas vezes elas não sejam nossas. Quando eu menos esperei, quando eu menos acreditei, um furacão passou por mim e me jogou pro alto com toda a força e meu coração, que estava trancado, pobre coitado, foi libertado novamente. E não me arrependo de não ter me segurado, ao contrário. Acho que eu, e meu coração, nunca estivemos tão felizes por termos encontrado esse alguém especial, esse alguém que me faz sorrir, esse alguém que me faz sentir amado, que me faz sentir pleno. Uns até diriam que eu estou apostando minhas fichas demais, mas eu acredito que eu já perdi minhas fichas antes e agora o que faço não é apostar e sim investir. Enquanto eu puder fazer isso durar, enquanto eu puder levar esse sentimento que surgiu no meado de dois mil e onze adiante, eu levarei e o farei crescer a cada dia mais. Eu nunca imaginei que, um dia, eu iria estar tão feliz e tão livre para amar como estou hoje. Mas é justamente o que uma pessoa disse pra mim uma vez: “Isso tudo foi a ponte que você precisava para achar o amor.” E é isso que, preparado ou não, eu estou fazendo. Atravessando essa ponte, de mãos dadas com quem me ama, para encontrar um amor tão mais belo e tão mais profundo quanto o que já existe. E se eu tiver que quebrar a cara novamente, deixarei que aconteça, porque só assim eu poderei aprender mais e não repetir os mesmos erros uma outra vez.
Nesse ano eu ganhei novos amigos, valorizei os que já tinha e perdi alguns. Eu sempre acreditei que as amizades são elementos de passagem e amadurecimento para os envolvidos. Amigos nos trazem coisas novas, sentimentos novos, idéias novas, mas amigos também ferem uns aos outros e, quando se perdem, amigos magoam mais do que podem imaginar. Talvez eu nem devesse estar falando essas coisas, mas alguns amigos meus me magoaram tanto que eu não pude mais ser igual com os mesmos. Mas não me magoaram por fazer algo, apesar de que alguns fizeram coisas, mas me magoaram porque se perderam e desistiram de fazer o que é certo, o que é preciso e se tornaram tão fúteis e superficiais que não me cabia mais estar ali perto, do lado. Mas eu ganhei novas amizades, e essas pessoas me tiraram sorrisos que antigos amigos nunca teriam conseguido. Porém, o que eu quero ressaltar são os amigos que sempre estiveram aqui comigo e que, graças à obra divina, continuam. São amigos fiéis, leais, sinceros, verdadeiros e que estão comigo em todas as horas que eu preciso, que eu quero e, principalmente, são esses que estão lá para mim até quando eu não mereço. E qual a única coisa que eu poderia dar em troca? Tudo o que eles me dão em dobro e é isso que eu tento fazer dia após dia, dar em reciprocidade cada palavra, cada olhar, cada sorriso, cada abraço, pois são eles que, junto com minha família, meu trabalho e meu coração, me fazem e me deixam ser quem eu sou e quem eu quero me tornar.
Uma coisa muito marcante neste ano foi que eu aprendi o que é família de verdade. Talvez possa até ser exagero meu, pois eu sempre tive uma família que me apoiou e esteve junto comigo, mas agora em dois mil e onze foi diferente, foi tudo diferente. Assim como acertamos, também erramos e aprendemos com isso. Pode ter sido tarde, admito, mas agora eu sei que minha família vai além do parentesco sanguíneo e é nela que eu posso, e devo, me apoiar independente de estar certo ou errado, de ser cedo ou tarde. Aprendi nesse ano que ninguém mais é capaz de me entender como a minha mãe e de estar do meu lado, mesmo aos trancos e barrancos, como ela e minha irmã. Sempre soube que podia confiar nelas, acreditar nelas, mas talvez eu não visse isso com tamanha certeza como vejo agora e isso, eu acredito, foi uma evolução que eu não vou, e não posso, deixar se perder em meio à tudo o que vai acontecer nos anos que se seguem.
Claro, eu fiz escolhas difíceis para minha vida. Algumas delas voluntárias e outras involuntárias, mas ainda assim fiz e não me arrependo de nada do que eu escolhi até hoje, não me arrependo nem tenho medo de nada do que sou ou deixei de ser, porque foram essas escolhas que me tornaram tão forte e tão seguro como sou agora. Acho que se eu tivesse feito escolhas diferentes, escolhas mais fáceis, eu não tivesse sido tão feliz, não tivesse vivido tantas experiências e não seria hoje o que sou. Acho até que não seria capaz de enfrentar as coisas que eu enfrento da maneira que as enfrento.
É, dois mil e onze vai ser um ano que deixará saudades e que entrará como o ano em que eu pude, finalmente, dar a grande virada de minha vida e me preparar para alçar voo, se é que eu já não estou voando e ainda não notei.
Eu espero e desejo muito que ano que vem, dois mil e doze, tudo seja igual ou melhor, que eu possa continuar crescendo e amadurecendo. Que eu possa mostrar para todos os que de mim riram e para mim apontaram que aquilo só me deixou mais forte e só me ajudou à chegar onde eu cheguei e me ajudará a chegar onde eu desejo chegar.