espera


os verdes olhos estavam escuros
parados em frente ao portão.
com os pés cerrados ao chão
e com o coração na mão de tanta dor.

adentrar era ferir-se novamente
era refazer os cortes feitos no passado
rever o reflexo da navalha na face
e transtornar o pobre coração ferido.

as sombras das árvores ceravam o sol
e as pessoas enfileiradas no pátio
a saudade era maior que qualquer coisa.

as pernas não se moviam mais
estavam presas ao chão, da forma que eu deveria estar.
era como se elas me dissesem para parar de sonhar.

o relógio gritava que era hora de começar
e a vontade de não entrar que jamais cessava
aos poucos me acostumei ao silêncio que proclamavam meus ouvidos.
aos poucos me acostumei ao fato de estar, denovo, só.

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