clausura


chave na fechadura.
janelas fechadas e o vento que é impedido de entrar.
hoje estou trancado. trancafiado por minha própria vontade.
é como se o ar lá fora queimasse meus pulmões.
como se eu me afogasse.
é como se o céu lá fora queimasse mesus olhos.
como se eu estivesse em cinzas.
é como se as pessoas lá fora me julgassem.
como se eu estivesse perdido em mim.
hoje eu decidi pela clausura de meus pensamentos, idéias e de minha voz.
trancar-me-ei em minha pele metarmorfótica e fingirei ser outra pessoa.
talvez um indigente ou um alguém sem rosto no meio da multidão.
colocarei minha pior roupa e subirei ao telhado,
só para ver as pessoas gritarem de dor e pedir ajuda,
como se o fim do mundo estivesse ocorrendo
e não fosse capaz de me atingir aqui em cima.
nem minha fantasia de super-homem pode me ajudar.
talvez porquê eu esteja sem óculos ou porquê eu não queira ver,
mas simplesmente a cadeira sabe me acomodar.
música em meus ouvidos.
olhos cerrados e o pensamento tão alto que nem o sol pode mais ver.
talvez eu volte à ser apenas um bebê em minha placenta…
talvez seja muito mais seguro não ver o que a luz pode mostrar.

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