ontem


e o silêncio deste estacionamento frio que ensurdece meus ouvidos e corroe as minhas entranhas, é somente silêncio perante meus gritos de dor.
portas automáticas e meu reflexo no vidro, que só mostram quão triste e solitária está a minha alma estraçalhada.
carros passando sem donos, rodas girando sem direção e somente vejo pena nos olhos dos que se atrevem à me olhar.
o tempo passa mas o silêncio perpetua na minha mente insana, presa pelas amarras em minha boca e pelos grilhões em meu pé.
o estacionamento é grande, mas, mais ainda é o vazio deixado por mim.
o cigarro queimando no chão, e a fumaça sufocando meus pulmões trago após trago, hora após hora, noite após noite.
meu consumismo barato e minhas escolhas insensatas me trouxeram até aqui, parasitando cantos e esquinas das mais imundas praças e canteiros de obras.
verme pálido e recostado na parede de um estacionamento inabitado.
eis o fim do brilho da lua.

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