deixe que a depressão tome conta de mim


a cama e o som dos pássaros na janela,
o sol penetrando as frestas dos meus olhos,
o som do silêncio se propagando no ar,
e eu, imóvel na cama, incapaz de me levantar.

a cada dia que passa eu tenho menos força pra sair.
a cada noite que se sucessede, menos ânimo para levantar.
por mais que ouça vozes, não sinto solidêz nelas.
por mais que haja luz, é como se o dia não fosse o suficiente.

sou fruto de meu maior temor.
herdeiro de minha própria solidão que criei em volta de mim.
prisioneiro dos sentimentos que cultivei,
filho do escuro da noite e da sombra do dia.

sou um gênero genérico,
cópia perfeita de alguém que finjo ser,
imitação de um personagem de ensino médio,
rebelde descoordenado dos olhos escuros e cabelo pintado.

as lembranças me vêem à mente,
como a dor me vem ao corpo,
e a saudade me serve à alma.
pobre de mim que me sinto perdido nesse sólido chão.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: