nem vou lhe beijar, gastando assim o meu batom


guardo em minha pequena mala de couro velho, as lembranças anotadas num papel amarelado, do passado que vivi em que sorrir era sincero e viver era belo.
a mala é pequena, mas as coisas que guardo não enchem nem metade daquela imensidão.
deixarei para trás as palavras que me foram ditas em falsos olhos, o abraços que ganhei, nos quais punhais penetraram-me por trás atingindo assim meu coração iludido.
deixarei para trás também os meus sentimentos por aqueles que não mereçem e por aqueles traiçoeiros que perfumaram-me com o fétido veneno que escorria de suas bocas.
levarei comigo a chave que penduro em meu pescoço. as palavras que minha metade outrora me disseste. o meu nome nos outros que se foi pra outra vida. as pegadas que deixei na areia para que, um dia, me encontrassem. e as roupas do corpo, as únicas que levo comigo.
e, se alguém sentir saudade, que lembre do que eu fui e guarde tudo o que deixei para trás.
talvez um dia eu volte. talvez um dia eu morra. talvez um dia eu aprenda a esquecer.
no mais, estou indo embora.

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