RECESSO: DIA 6


um breve momento na noite.

recosto-me no parapeito frio daquela noite. olho para baixo e contemplo a rua vazia de carnaval. palavras são soprada em meus ouvidos enquanto escrevo uma  história. uma história real fantasiada pela minha juventude.
já passa das dez quando me sento e olho em volta.
muita coisa mudou, mas a bagunça do meu quarto continua a mesma.os papéis espalhados pela mesa, a corrente colocada em cima da cômoda.
a saudade jogada em um canto escuro.
guardo minha história no bolso enquanto me arrumo.
ajeito os cabelos desgrenhados, escolho uma boa roupa e visto-a.
deitar-me-ei em minha cama, em não muito breve, mas quero estar arrumado para sonhar.
sonhos.
a única coisa que me resta.
e eu me olhando no espelho enquanto me arrumo para os mesmos.
tudo isso não se diferencia dos meus dias normais. exceto por um fator.
o frio que corre por entre as grades de minha janela, agora corre também por minha espinha.
talvez aquela história não tenha valor. talvez jamais devesse ter sido contada.
penso em rasgar o papel e atirá-lo pela janela, mas algo me impede.
acho que a história que tanto me machuca é que me sustenta. que mantém minha cabeça de pé e que tanto me fez mudar.
guardo o papel em uma caixa, no fundo do meu guarda-roupas e tento esqueçer.
amanhã será outro dia.

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