reticências


era cedo. era sábado. era sol e eu estava lá. em um local escuro, iluminado por luzes coloridas e ofuscantes. cheio de gente em minha volta, pulando, gritando, se esbarrando, caindo, levantando. se divertindo.
o som era alto. zunia em meus ouvidos e fazia minha cabeça girar. a fumaça no ar tapava minhas narinas e o cheiro do cigarro alheio me tirava sensação de frescor.
mas tudo aquilo valia à pena. naquele momento, ver ela alí, em cima do palco, cantando com um microfone na mão, incorporando uma diva do rock, valia à pena pra mim.
era prazeroso ver os olhos dela brilharem quando olhava pra mim. maravilhosamente gratificante ver um sonho dela se realizar e ela ver que, apesar de toda a dificuldade, ela poderia alcançar qualquer coisa na vida dela.
era lindo ver ela se achando linda. ver ela se gostando em cima do palco, e as pessoas gostando dela enquanto curtiam a voz dela tão perfeita quanto o seu coração.
me emocionei. chorei de felicidade mas não deixei que ela visse. não queria estragar o momento dela. disfarçei.
naquele momento, o sonho dela era o meu. e o meu sonho era ver ela feliz e, finalmente, depois de tanto tempo, ela estava feliz. ela era feliz como nunca foi. ela era ela, sem tirar nem pôr.

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