year two : mil palavras em pouco tempo


mais um ano se passou. mais trezentos e sessenta e cinco dias de palavras e eu nem sei por onde começar.
nesse último ano, minha vida virou de cabeça para baixo e até agora eu não consegui recuperá-la. ou talvez tenha recuperado-a em parte.
tudo começou bem no começo do ano de dois mil e nove, quando eu descobri, e notei, que as minhas conquistas anteriores não seriam nada comparadas às conquistas que estavam chegando. e a primeira delas chegou em meados de janeiro, em uma manhã de sábado. uma manhã com sol e muita tensão, que se dissolveu em instantes quando eu vi meu nome marcado naquelas páginas. uma manhã que foi precedida de angústias e insônias por aquela resposta que abriria minhas portas. e abriu.
depois disso, eu pude perceber que era hora de ser eu mesmo. e assim eu enfrentei o meu novo lugar sendo eu mesmo, sem esconder nenhuma de minhas facetas. no começo foi estranho, mas logo depois eu me acostumei com as pessoas e as pessoas se acostumaram comigo. é difícil para a sociedade te aceitar de cara limpa, sendo você mesmo sem usar de máscaras ou artifícios, mas eu queria que fosse assim. precisava que fosse assim.
até então eu tinha um relacionamento, mas eu descobri que eu e ela éramos mais amigos do que namorados e então terminamos. nossa amizade dura até hoje. acho que foi até melhor. nos tornamos mais íntimos agora. deixamos de ser namorados e nos tornamos confidentes e conselheiros.
mas eu não fiquei sozinho muito tempo. logo eu achei meu sol. claro, antes disso eu passei pela lua. uma bela lua de cabelo preto e lápis de olho cor azul. uma lua que acabou se tornando minha companhia sempre presente entre aquelas paredes frias e sujas. mas então eu encontrei meu sol. um sol de cabelos curtos, aparelho nos dentes e um jeito doce que eu só encontrei nela e em mais ninguém. meu sol era quem iluminava aquele lugar. estávamos juntos o tempo todo até que ela teve que partir, e então eu não pude estar mais perto.
tudo estava mudando em torno de mim e dentro de mim. eu desisti de ser sombrio  e passei à ver as cores que estavam em volta de mim. uma explosão de cor. até meu gosto musical já não era o mesmo. eu, de rebelde sem causa no passado, agora ouvia música popular brasileira, com grandes nomes e rítimos calmos, acompanhado de violões e letras tão profundas e fundamentadas que poucos conseguem entender.
as coisas em casa se complicaram um pouco. na verdade, não foi em casa. foi na família. aquele que era, e ainda é, o pedestal, continua degenerando-se e esperando um fim que insiste em não vir. uns dizem que é porque não está pronto para deixar esse mundo, outros dizem que está pronto, mas ainda não quer. eu discordo disso tudo. eu acho que ele está pronto e quer, mas ele precisa esperar até que nós estejamos prontos.
então eu consegui um trabalho. não é o trabalho dos meus sonhos, mas ainda assim é um trabalho. pude comprar o que eu quis e fazer o que quis.
durante um tempo eu me senti muito sozinho, e então eu achei apoio nos livros. um livro atrás do outro. uma história atrás da outra. eu não parei de ler. eu mergulhei em um mundo que não era meu, um mundo que foi criado por outras pessoas para que pessoas como eu não se sentissem tão sozinhas. e funcionou.
depois de meados do ano, as coisas ficaram mais confusas e diferentes ainda. eu estava em um momento estagnado. até que no campo de minhas amizades a coisa começou à mudar.
eu conheci novas pessoas que mudaram minha vida. um revoltado, que depois se mostrou não tão revoltado assim, uma chorona misteriosa, que depois se mostrou forte, ainda misteriosa e não mais chorona, um cara que eu passei à chamar de primo, uma menina confusa e perturbada (no bom sentido da palavra), um amigo que se parece comigo e que tem um incrível poder de pegar minhas ex-namoradas, um cara que se parece com jacob (crepúsculo) e é irmão de meu gêmeo, um coelho(w) que, até então, falava pouco e eu não suportava, e hoje fala pelos cotovelos e eu adoro,  e um cachorro que eu quero esqueçer que fez parte de meu círculo de amigos… entre outros. até um irmão gêmeo eu ganhei, esse, meu melhor amigo. além dos novos amigos, ainda tem os velhos amigos que fazem, sempre fizeram e sempre farão parte de minha vida, minha vaquinha leitira mais linda e mulata, minha azingamora bolachona, entre outros. essas pessoas passaram à completar minha vida e meus dias. elas me fazem feliz.
do outro lado, algumas amizades começaram à se esvair. estava tudo acabando para essas pessoas. o contato parou, a saudade sumiu e até o sentido do passado se tornou confuso. eles se foram pra mim.
dentro de mim, eu cheguei à um ponto em que não dava mais para continuar como estava. decidi então que deveria mudar e, já perto do fim do ano, decidi que era hora de sair de casa e começei à programar tudo, mas, por impecilhos do destino, se é que o destino existe mesmo, tive que adiar esses planos.
no campo da escrita, eu continuei à escrever. e escrevi mais. continei com este no qual lê estas palavras, dobrei o número de poemas e poesias de minha autoria e até um romance ficcional eu decidi escrever e ainda o faço. fortes influências dos livros que têem me acompanhado.
foi um ano de muitas brigas pra mim. brigas com amigos, com amores, com família. foi um tempo em que minha paciência acabou e meu pavio, que sempre foi curto, se encurtou mais ainda. eu passei à me amar mais e não deixar que ninguém tentasse me colocar para baixo. se as pessoas gritam comigo, eu passei à gritar mais alto e a me fazer ouvir independente da circunstância.
algumas pessoas se foram de minha vida. partiram. umas me deixaram marcas profundas e dolorosas, outras deixaram marcas profundas mas que não doem mais e outras não deixaram marcas. mas várias pessoas partiram e deixaram buracos em minha vida. buracos que eu tratei de tampar ou esconder de mim mesmo.
no geral, esses últimos trezentos e sessenta e cinco dias me mostraram mais do que eu esperava ver. em todos esse tempo eu vi e aprendi que sou mais forte do que imaginava. eu vi e vivi emoções e sentimentos levados ao limite. nesses últimos trezentos e sessenta e cinco dias eu subi o mais alto que pude, depois de estar tão em baixo.
entre chegadas e partidas, eu sobrevivi à mais um ano de lutas e conquistas, perdas e tristezas. entre tanas coisas eu aprendi à viver e vivi. entre tantos motivos para chorar, eu descobri o maior de todos os motivos para sorrir: o meu amor próprio.

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