O Adeus de Shirley


Enfim, acordei. Estava nua com aquele que eu amava do meu lado.  Observei-o dormir, com aquela face angelical e aquele corpo que me possuiu enquanto a Lua reinava absoluta no céu. Eu sabia o que tinha que fazer. Eu tinha que ir embora dalí, daquele lugar, ir embora daquela cidade. Não podia mais fazer mal à ninguém…

Era um verão como nenhum outro e eu estava perdida agora. Eu sabia que “Shirley” tinha que deixar de existir, mas não sabia como fazer isso. Naquele lugar, isso seria impossível. Todos conheciam Shirley, todos sabiam como ela era, todos sabiam como encontrá-la.

Então decidi que deveria ir embora. Deixar para trás todos aqueles que eu conhecia, deixar para trás minha profissão, por assim dizer, e deixar para trás aquele que dormia ao meu lado. O meu grande amor.

Peguei minhas coisas e fui para minha casa. Arrumei minha mala e parti. Parti sem deixar recados, sem dar adeus, sem deixar rastros. Queria apenas sumir e começar do zero. E assim o fiz. Deixei que Shirley fosse embora e só fosse lembrada nos textos escritos, nos quadros pintados, nas camas bagunçadas e nos beijos distribuídos.

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