Um Número à Mais


“Mas você não pode me abandonar assim! Eu desisti de uma vida, de meus sonhos para você!” – gritava a esposa traída.

Aquele era o fim de um relacionamento que durava anos e que, como fruto, trouxe ao planeta uma criança que eles insistiam em dizer ser filho deles e não filho do mundo. O casamento estava se desgastando havia anos com tantas viagens à trabalho.
Até então, nenhum dos dois haviam percebido os sinais do desmoronamento daquele matrimônio nada santificado. Mas eles tentavam.

“Você desistiu dos seus sonhos porque quis! Ou melhor, você não desistiu dos seus sonhos. Você trocou seus sonhos fúteis e desncessários pelo sonho de montar uma família comigo, ou vai dizer que é mentira?” – esbravejava o marido enquanto arrumava a mala com seus pertençes.

Ela estudava e teve que largar a faculdade porque engravidou. Apesar de ela nunca ter dito nada, o filho se culpa por aquele infortuno. Chegou à tentar imaginar a vida se não tivesse existido, mas não conseguiu. Agora era tarde. Ela já tinha largado a faculdade e o marido sacana estava largando-a.
O filho nada pode fazer se não se sentar no sofá com um cigarro na mão e o coração na outra.

“Então é assim? Você vai mesmo embora?” – questiona uma esposa irritada.

Porém, uma voz é ouvida na sala. O filho se manifesta e decide falar o que pretendia falar mais cedo ou mais tarde.

“Você não pode sair e nem ela. Os dois nunca estiveram aqui. E, se vão ficar nessa, quem sai sou eu. Já estava na hora mesmo…”

E, com essas palavras, o filho atravessa a porta para nunca mais voltar. Hoje o silêncio reina naquela casa e, quem passa pela porta e não ouve mais os gritos, logo percebe que o problema nunca foi o casal e sim o filho que não deveria estar alí. E quem achar que seria um erro pensar assim, já errou só de achar isso.

“O filho era um número que não cabia naquela equação…” – disse, uma vez, um transeunte que conheceu aquela casa em algum lugar do passado.

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