O Poeta das Obras Mortas


Como dizia o poeta das obras mortas, enquanto não houver sangue, não há final. E ele bem sabia disso, pois preferiu morrer para que em suas páginas houvesse sangue e seu sangue cobrisse de rubro as palavras que ele jamais sonhou que viessem à descobrir um dia.

Pobre e iludido poeta, que amargava por somente escrever sobre a dor que lhe cabia viver, enquanto todo o amor que pudesse haver em algum momento se escondia pelos cantos da casa, preso nas teias de aranhas que o tempo deixou que fossem criadas nas paredes sem reboco.

Mas, tolo incompreendido, acreditava criar algo quando ele apenas dedicava-se ao fim. Ao fim daquilo que ele jamais tinha começado, mesmo que, durante aqueles dias tão nebulosos de chuva, ele acreditasse escrever algo. Mesmo que, durante tantos dias de noite, ele realmente pudesse ter enchido de luz o coração de algumas pessoas que, por ventura, liam tais palavras. Mesmo que, durante alguns segundos, ele realmente se sentisse realizado. Mas só por alguns segundos e, logo depois, voltava ao sangue.

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Um Comentário

  1. Pedrinho

    Eu AMO esse. *__*

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