Um pouco louco, um pouco torto e um pouco roto.


É, junto com dois mil e onze, grande personagem dessa história, se vão tantas outras que talvez seja impossível enumerar ou contar sem me prolongar eternamente.

Ontem comentei que um dia, talvez, eu arranje alguém para escrever minha biografia e contar, para quem quisesse ler, minhas histórias. E só hoje fui me atentar que talvez, e não somente talvez, eu não possa contar minhas histórias porque, assim como se vão os anos, as histórias se vão. Assim como passa o tempo, as histórias também passam e devem ficar alí onde estão, no passado. Histórias são histórias e só.
Pensando nisso fui tomado por um sentimento de tristeza que não me cabia e que não deveria me caber. E “engraçado” como as histórias, as coisas e as pessoas saem de minha vida tão facilmente, como páginas de um romance que são viradas e não mais revistas ou revisitadas. Mas talvez isso que seja o viver que tanto falam os estudiosos e os pensadores, o ato de passar as páginas continuamente e jamais retornar ou regredir.
Sendo assim, não posso deixar de me questionar tudo isso, porque não devo retornar nas páginas que já li e já escrevi de minha vida, mas também não posso ignorar todas as palavras que nelas fora postas, pois tais palavras são as grandes representações do que eu já vivi e, por consequência, do que sou hoje.
É, uns dirão que eu não devo me questionar tanto, outros dirão que meus questionamentos são sem fundamento, mas será que eles estão certos do que falam ou só estão tentando se enganar? É mais fácil ignorar os pensamentos e obstruir a mente com asneiras, do que deixar ela ser preenchida com pensamentos que, apesar de belos, são cortantes e dolorosos de tão sinceros.
O grande problema da humanidade é justamente esse, não saber pensar sem sofrer, não saber refletir sem se culpar, não saber usar as páginas que já foram escritas como base, fundação e fundamento, para o que será escrito daquele ponto em diante. Não saber se questionar sem tentar corrigir ou consertar o que já não é presente.
Por tanto, por fim e enfim, quando o faço e quando me permito sentir sou chamado de louco, tonto ou incoerente, mesmo com o segredo velado de que loucos, tontos e incoerentes são aqueles que, querendo ou não, se negam a enxergar tudo o que lhes é permitido. Então que eu seja tudo isso e mais um pouco, que eu seja um perdido, varrido, enxotado. Que eu seja um pobre coitado, porque, na verdade, eu só sou, quero ser e quero continuar sendo, um pouco louco, um pouco torto e um pouco roto, porém feliz.

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Um Comentário

  1. Texto simplesmente incrivel. O mais legal é ter participado da construção dele, mesmo que só em presença. *_*

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