O que não deveria existir.


Após onze dias corridos do mais fatídico de todos os dias desta polêmica e poética história sem final feliz, começo a me permitir deitar a cabeça sobre o travesseiro e não mais sentir o latejar das feridas que me foram abertas a sangue frio, podendo assim sentir-me em paz comigo mesmo e só então tirar o peso da mágoa que meu coração insistiu, e ainda tenta insistir, em carregar consigo.

Mais do que isso, vejo que o tempo da saudade está se esgotando e a falta do toque, do abraço e do beijo se torna escassa e finita. Acredito que possa ser meio precipitado afirmar que a cura desta dor está chegando para mim, mas diante das circunstâncias, prefiro acreditar nesta ínfima possibilidade do que deixar que o tempo, tão frio e cruel, senhor de si mesmo e dominador das lembranças, possa agir somente por seu desejo.

Tento, em vão, toda vez, acreditar que os sentimentos são importantes e suficientes, que são o bastante para solidificar as frágeis relações que construo, mas, nos desenrolares e entremeios, caio sempre nas complexas armadilhas que o destino, destemido e calculista aliado do tempo, prepara para que eu, inocente em minha humanidade, desfaleça e me renda.

Talvez eu não tenha sido bom o bastante para significar e manter acesa a chama que eu, mesmo com tantos percalços, ainda alimentava. Creio que Renato Russo errou ao afirmar, levianamente, que “quem acredita sempre alcança”, sentenciando e inundando milhares de ouvidos e mentes com ilusões como esta, de pessoas como eu.

Para muitos que isto irão ler, tais frases serão apenas um amontoado de palavras que não lhes fará sentido, mas satisfaço-me em crer na certeza de que não proferi estas palavras ao vento e que estas encontrarão vossos caminhos e cumprirão a missão que lhes foram ordenadas e que lhes cabe, que é a de significar e justificar para uns poucos os meus sentimentos, as minhas ações e os meus olhos tristes.

Porém, aqueles que meus olhos lêem e tristeza neles vêem, também enxergam a esperança que está nascendo, renascendo. Tais leitores, de meus olhos e minhas palavras, sabem e saberão que minha tristeza de agora, assim como todas as outras tristezas passadas, está por chegar ao fim. Ou está chegando ao fim. Como queiram.

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