Trinta dias de Saudade.


Acho maravilhoso como se dá a construção sentimental dos seres viventes neste mundo tão estranho chamado terra.
Mas não acho nada maravilhoso quando se trata de uma reconstrução sentimental, e principalmente quando se trata da reconstrução sentimental deste pseudo-autor que redige para este ínfimo blog.
Comecei tal divagação desta maneira para aliviar um pouco a pressão de expor como eu me sinto ao tentar reconstruir todo o meu sistema emocional depredado pela abrupta forma que a maior paixão que eu já tive fora arrancada de mim numa noite de verão. É, meus caros leitores, a gente só aprende o verdadeiro significado das palavras ao vivê-las e eu estaria distorcendo a verdade se negasse, para vocês e para mim, que ainda me encontro em processo de superação, de recuperação.
Pois bem, vamos aos significados que compõem tal verdade.
Devido ao fim prematuro e exageradamente triste e cruel daquele relacionamento que reacendeu uma chama que eu desconhecia ainda existir dentro de mim, meu coração dilacerado não foi capaz de se curar da forma que já deveria ter acontecido. Provavelmente por se tratar de uma dor tão venosa e cruel, que só ataca quando o músculo pulsante em meu peito consegue respirar e parece tomar força para voltar a bater regular e ritmadamente. O resultado disso nada mais é do que a sensação diária de que o dia doze de janeiro se repete todo dia e que se tornou mais presente e mais forte do que o vinte e sete de agosto ou o quinze de outubro. O resultado disso é a simples sensação que as lágrimas que derramei continuam a cair em algum lugar dentro de meu peito agora oco e que uma hora isso tudo vai acabar. Não sei quando, não sei como.
Eu poderia aqui fantasiar diversos versos e ficar ilustrando com diversos exemplos inúteis o que fala meu coração agora, mas talvez eu não esteja mais conseguindo ilustrar nada. Fico pensando e acredito, cada vez mais, que essa história que tanta gente fala sobre o tempo curar esteja um pouco errada, pois estou vivendo o tempo e não vejo nenhuma ferida curar até agora. Elas se escondem de mim e, posteriormente, retornam à superfície para poder me mostrar tudo o que eu vivi e no que isso terminou. Como se servissem para me lembrar dos sorriso, dos dedos entrelaçados, dos olhares, das fotos, dos carinhos, dos beijos e, ao mesmo tempo, lembrar das brigas no fim, da distância e de todas as lágrimas que caíram quando não havia mais esperanças, quando não havia mais luz e todas as forças já tinham sido gastas naquela luta perdida.

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Um comentário sobre “Trinta dias de Saudade.

  1. O tempo não cura as feridas! Ele apenas faz com que tenhamos a certeza de que não voltará.. Faz com que nossas esperanças percam a credibilidade. Cada dia depois do fim é a certeza de que o que foi dois é um! A mim se passaram quase quatro anos, outros rostos vieram, amores, … Mas minhas feridas não cicatrizam,sempre abertas e quando parecem fechar, infeccionam. Luta diária e eterna… Quando se deitar perceberá que seu peito guarda uma enchente que a cada memória deseja esvaziar, mas que permanece cheio e te molha a face ao olhar uma fotografia, pegar aquele presente, etc. Na terra dos homens amor não correspondido deveria ser proibido! Assim, continuamos sem aceitar o fato de que o amor é reciproco apenas no seu bigbang inicial! Abraços. Sofia AiméeA

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