E se toda raiva for, o não esquecer de um (des)amor?


Acho que odeio muita coisa. Mas odeio mais o que não posso ou não consigo odiar, por qualquer que seja a circunstância. Talvez eu odeie tanto, tanta gente, pelo simples fato de tanta gente ter me marcado e me feito sorrir para depois tirar esse sorriso e eu, meio que ridicularmente, meio inadvertidamente, sempre desejei esse sorriso de volta. Mesmo que ele volte para mim sem essas pessoas.

O tempo não foi sábio e nem carinhoso comigo. Me torturou em cada noite vazia, em cada palavra que insistiu em se prender na minha garganta. O tempo, de tão cruel que era, ao invés de fechar meus olhos e me fazer não mais ver, pôs em mim as mais duras lentes e me fez enxergar que ódio, de tão tênue e frágil, nunca foi ódio e sim um reflexo do que o nem o tempo conseguiu esconder.

A tristeza que me consome hoje não é a tristeza do tempo cruel ou da imersão errônea no ódio. A tristeza que tem me inebriado hoje é a tristeza do adeus que não se quis dar, do até logo que não merecia. É a tristeza da despedida que não cabia agora. E essa tristeza ninguém sana. Não agora. E por mais que se crie qualquer disfarce ou que se tomem ações banais e superficiais para que se criem falsos sorrisos e distrações temporárias, essa tristeza há de retornar e me fazer, novamente, frágil e debulhado.

E sobre aquele que me levou o sorriso, não me faço triste em lembrar. Me faço saudoso. Talvez de algo que eu não sei nomear, ou talvez do sorriso. Mas imagino o vil ladrão sorrindo e, por mais que insista em invadir meus sonhos que não revelo-os à ninguém, não é no sonho que faz falta. É nos lábios, nos dedos, no sussurro e no nascer do sol.

No fundo, acho que evoco o nome, mesmo que eu não seja capaz de pronunciar, sempre que me perguntam, ou me pergunto, de que é feita minha saudade. Porque, por mais que o nome tenha me feito permitir cair aquelas partículas de água salina, ele ecoou em minha mente, e em meu entorno, durante todo o tempo que me fiz feliz.

Enfim, não mais postergarei minha saída e não mais chorarei. Não suporto mais o terror de acordar e não quero mais a solidão das lágrimas noturnas. Apenas… Guarda contigo estas palavras e não permitas que tenham acesso à elas. São tuas. Presente dos cacos que vivem em meu peito, para que seu sorriso solar possa tentar salvar, ou ao menos remendar.

Desejo que a noite lhe cubra e lhe faça quente a alma e o coração, que acalente teus sentidos e permita que seu corpo, belo e esguio, descanse e se prepare para um novo dia, ou qualquer outro dia, que possa vir. Desejo que sua mente possa ser tomada por pequenas pílulas de ilusão criadas por seu consciente, subconsciente e coração, donos da sua maior verdade, aquela que só você é capaz de sentir. Desejo que nada seja capaz de fechar o teu sorriso, apagar a luz de teus olhos ou calar a voz que te faz tão presente e inesquecível.

E, por fim, e mais importante, desejo que mesmo que conscientemente, eu me torne incapaz de tirar seu juízo com minhas profanações poéticas.

Guarde minhas palavras assim como guardaria o meu coração.

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Um Comentário

  1. Nossa que lindo *-* Essas lindas palavras unidas fazem a saudade parecer um sentimento bonito, honrado, não algo avassalador e desruidor que nos corroi por dentro ^^ Parabens diogo, lindo demais!

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