Antes que comece um novo ciclo.


Resolvi escrever sobre ser feliz. É, resolvi contar os passos que dei, os sorrisos que brotaram, e as cores que meus dias tivera, e ainda têm. Resolvi dar voz ao que meu coração insiste em gritar em conversas particulares, em beijos escondidos na penumbra ou em tardes de pôr-do-sol onde não há ninguém em volta, ainda que estejamos em meio a multidões.

Mas qual minha surpresa ao relembrar as palavras de uma velha amiga, que um dia me foi próxima e hoje se faz lembrança, ainda que não frequente ou presente, quando me ensinou sobre os ciclos e como certas coisas devem ser fechadas e deixadas para trás com a finalidade de avançarmos. Pensando nisso, retrocedi um pouco e vim trazer as palavras, talvez um pouco lacrimejadas e ainda doídas, mas não mais sentidas ou saudosistas, daquilo que ficou no caminho.

Sim, por trás de cada sorriso e de cada degrau alcançado, há sim uma lágrima, uma tristeza, uma lembrança ou uma mágoa. Talvez até isso tudo unido numa só pessoa ou numa só situação. E negar isso, mesmo que jurando por qualquer ser magnífico ou qualquer ser vivo, é uma das mais puras blasfêmias. Só se cresce superando, seja o que for, e só se supera ao avançar barreiras físicas, emocionais e psicológicas, até que as mesmas se quebrem e não reste mais o que contar.

E assim, entre tantas metáforas, eu me permito falar, ainda que quase ninguém entenda ou saiba do que eu coloco, sobre o amigo que partiu e, ao não avisar que poderia retornar, encontrou porta fechada. Assim, entre tantas palavras bem, ou mal, colocadas, eu me permito contar sobre aquele ser que tinha um papel a atuar, um posto a defender, e abandonou tudo isso juntamente com aquele menino indefeso que queria ser entendido. Num processo contínuo, falo de todos aqueles que estiveram do meu lado, ou ao menos fingiram estar, e partiram. Aqueles que procuraram um apoio para não cair e, quando estabelecidos, buscaram novos caminhos e nem se quer olharam para trás e disseram um até logo.

Exatamente como tantos acreditam, às vezes, quase sempre, admito, temperamentos explosivos e reações exageradas carregam consigo o peso das mágoas e das tristezas. Seria tolice negar o que as pessoas veem melhor do que o espelho. Exatamente como pregaram vários psicólogos e estudiosos, certos julgamentos surgiram de associações das quais nenhum ser, ainda que não lhe pareça humano à primeira vista, conseguiria escapar. E as vezes esses atores simplesmente, ainda que também levianamente, não conseguem ou não querem falar, não querem escapar destes sentimentos.

Acredito que estes métodos, considerados fuga ou apenas sentimento puro, é a melhor maneira de se apegar a algo e não se permitir derrubar por isto, ou por alguém, ou até por um período da sua auto-história. Nem todos conseguem simplesmente fugir ou abandonar tudo com um dedo no gatilho ou uma lâmina afiada. A grande maioria, e que se conserve assim, pelo bem daqueles que aos outros querem o bem, prefere associar, ou cruelmente odiar, se negar, do que desistir. E assim crescer.

É a partir deste ponto em que, com a missão cumprida de falar sobre aquilo que me doeu, ainda que negando o tamanho da dor e sistematizando tudo em palavras bem colocadas, ou não tão bem colocadas assim, eu preparo quem quer que seja, ou quem quer que eu tenha me tornado, para trazer, e compartilhar, o que é a verdadeira felicidade.

E se me perguntarem, um dia, porque me propus a escrever, ou apenas relembrar-me, isso tudo, eu bem direi que estava apenas fechando ciclos de escritas passadas e me permitindo um novo ciclo, onde reina as batidas que o meu coração dá, os abraços quentes em dias nublados que meu corpo tem, os olhares trocados envoltos em cumplicidade que minha visão me trás e, por fim e também importante, os beijos tão fortes e tão intensos quanto os que o autor deste necessário texto uma vez sonhou.

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