Oito


Eram oito dias
quando nos prometemos oito vezes
que seríamos felizes,
e agora,
quando oito meses se passaram,
eu quero oito vidas
contigo e nada mais.

Tantas e tantas noites eu me peguei chorando baixinho, meio calado, um tanto amuado, esperando que ninguém me ouvisse e por diversas vezes eu me senti perdido, esquecido até, acreditando que eu não fosse digno daquilo que eu desejava, daquele sentimento forte que lhe tira o chão, lhe leva o sono, lhe acaricia a alma e, principalmente, lhe faz acreditar naquele estado de espírito que chamam de felicidade.

Inúmeros foram os dias em que meu âmago amargurava, implorando por uma gota de acalento, aguardando pacientemente – ou nem tão pacientemente – por aquela gota de vida, de fogo e de passionalidade que possuem os românticos, os boêmios e os crédulos, desconfiando que esta seria a solução para desgelar aquele pedaço de mim, ainda que abstrato, que um dia fora ferido e guardado por quem não soube cuidar.

E de repente eu fui pego de surpresa por aquela onda que me aquecia e me fazia vivo, pego por um pôr-do-sol numa tarde de segunda, a beira mar, onde as pessoas em volta se faziam ausentes, mesmo que existissem, e eu me percebia, pela primeira vez em muitas luas, extasiado com a beleza daqueles olhos, capturado pela segurança daquele sorriso e, mais do que nunca, encantado com a sensação de voltar a ser feliz.

Então eu já não sabia mais o que seria de mim, além de um feliz e amado escravo daquele sentimento que me fez dependente e me tornou completo, que me trouxe a sensação de não estar mais só, de não precisar do mundo, e eu não quis, nem se quer passou por minha cabeça, mais desistir ou me curar deste vício que, ainda que escravo, me tornou livre, me deu asas e sorrisos, que me trouxe de volta e me permitiu então viver.

A partir daí eu já não podia mais conceber uma vida como aquela em que um dia eu ousei chamar de minha, onde não haveria aquela chama acesa para aquecer, incansavelmente, tudo o que eu sonhava, onde não havia aquele sorriso para me fazer sorrir apenas por existir, onde não haveria aquele toque que me arrepia do começo da espinha até o coração.

Foram longas as noites em que busquei uma forma de te dizer o quanto eu me sinto seguro quando você me abraça, uma forma de dizer que eu me sinto feliz quando você sorri, que me sinto protegido quando você me olha, que eu me vejo completo quando, esteja onde estiver, eu olho para o lado e vejo você em tudo o que faço, tudo o que toco e em tudo o que me toca.

Hoje eu não sei mais distinguir felicidade do seu nome, hoje em dia eu não sei mais abrir os olhos sem ver você me desejar um bom dia, não consigo mais acreditar em desilusões, mentiras e traições e, graças a você, hoje eu sou capaz de acreditar que felicidade bate sim à porta e que, ainda que a vida tenha me calejado, eu mereço ser amado e amar tanto quanto puder.

Só me resta então agradecer aos quatro ventos por terem trazido você até meus braços e me dado a chance de saltar do lugar onde eu estava e encontrar você ali, em queda livre do meu lado, para me segurar e me trazer para o mais belo horizonte que eu pude enxergar, agradecer aos quatro, cinco, oito ventos por permitirem que eu te conhecesse e que você pudesse me conquistar assim.

Mas, além dos ventos, eu quero, e sempre quererei, agradecer, e sempre agradecerei, a você por me guiar em meio a tantos escuros, por segurar minha mão quando eu não tenho mais onde segurar, por não me deixar cair quando o peso que eu carrego é mais do que posso, por me proteger quando eu me reconheço frágil, por me cuidar quando eu resolvo desistir.

Agradecer por me querer até quando eu não me quero, por me sentir quando eu não sei mais quem sou, por me segurar quando eu estou para cair, por me sustentar quando eu me parto em pedaços, agradecer por não desistir de mim quando todos já desistiram, por me acalmar quando o controle me falta, por me trazer para a superfície quando eu começo a afundar em mim mesmo, por me fazer feliz sempre.

Mais do que isso tudo, eu quero agradecer por você enxergar em mim o que mais ninguém enxergou um dia, por acreditar que eu seria um futuro daqueles de felicidade, por confiar no que meus olhos diziam apesar de minha boca e meus dedos tanto se atrapalharem em expressar e, claro, por se permitir amar alguém tão inconstante, inquieto e imperfeito como eu posso ser.

Hoje, depois de tanto chorar e esperar por aquele sentimento que eu durante anos desejei, eu posso dizer, graças à verdade que temos, que eu descobri o que é amar, posso dizer, para quem quiser ouvir, que eu descobri o verdadeiro amor, e ele está em tudo, em todo o canto, em todos os momentos, em mim e em você.

Tentei escrever oitocentas e oitenta e oito palavras o quanto te amo, mas no fim, descobri que não se medem palavras para escrever o infinito.

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